segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cada um no seu quadrado

                Já faz um tempo, tenho percebido que algumas pessoas não têm a noção do espaço que ocupam no universo. E quando me refiro a “espaço no universo”, não estou falando de “sentido na vida” ou “cumprir seu papel”, falo de espaço físico mesmo. Por muitas vezes nos deparamos com obstáculos humanóides em nosso caminho que insistem em atrasar o nosso direito de ir e vir. A total falta de percepção territorial soma-se à audição seletiva, que os impede de ouvir as súplicas de suas vítimas, ávidas por uma brecha que seja para passar.  Após anos de pesquisa, cataloguei esses “obstáculos” nas seguintes categorias:


O porteiro: essa subespécie não pode ver uma porta ou passagem que se sente “compelida” a montar acampamento. Esse tipo não se preocupa em olhar para trás e ver se alguém deseja passar. Há alguns que possuem até cancela embutida. Com a mão na cintura, seus cotovelos impedem qualquer um de passar sem a “senha” adequada.
O portador de labirintite: também conhecido como “caranguejo urbano”, esse tipo só anda para os lados, impedindo qualquer tentativa de ultrapassá-lo. Recomenda-se cuidado ao ficar atrás de um desses, pois você poderá ser contagiado e, quando menos perceber, estará andando de um lado para o outro no intuito de deixar o “medidor de calçadas” para trás.
Os tranca-ruas: esses tipos só sabem conversar se um estiver ao lado do outro, o que, numa rua ou calçada estreita pode deixar em grande desespero qualquer apressadinho. Por terem aversão a filas e a andar rápido, sua presença não passa despercebida. Para lidar com eles, aconselha-se que se respire fundo, imagine-se em uma procissão e espere até a rua ou calçada se alargarem.
Poderia listar outros tantos tipos, mas creio que já os deixei familiarizados com o assunto e não quero ser um “obstáculo temporal”.